Infografia foi o tema do primeiro LIDE, encontro de profissionais de design editorial que aconteceu no dia 23 de maio na Editora Abril. O pessoal da organização pediu para que o Eduardo Asta e eu falássemos sobre o infográfico do caso Isabela que produzimos em 2008 e que ganhou uma medalha de prata no Malofiej do ano seguinte.
Fizemos um levantamento da cobertura do caso na mídia e decidimos incluir, com uma certa dose de teoria, os motivos que nos nortearam no desenvolvimento do info. O engraçado foi que as outras palestras giraram também em torno dos mesmos focos: os equilíbrios entre texto e imagem e entre arte e jornalismo.
Também palestraram Alberto Cairo (professor de infografia da Universidade da Carolina do Sul), Rodrigo Ratier (jornalista da revista Nova Escola), Leonardo Aragão (editor de arte do G1) e Fábio Sales (editor de arte do Estado de São Paulo).
Aí abaixo vão os slides da nossa apresentação


Essa infografia mostra que o ciclo de reprodução do vírus da malária acontece parte no corpo humano, parte no corpo do mosquito transmissor. Isso permite o intercâmbio de genes de diferentes parasitas e facilita mutações que tornam o vírus resistente à medicamentos. Foi publicada no caderno de ciências da Folha, junto com um mapa que mostra a redução mundial das áreas onde a doença ocorre.

Eduardo Asta e eu recebemos uma prata no Malofiej 2009 por essa infografia sobre a reconstituição do caso Isabela Nardoni publicada em abril de 2008 na Folha. Por alguns meses, o caso tornou-se uma obsessão na mídia brasileira e a reconstituição do crime foi acompanhada ao vivo em todo país.
Dois dias antes, fiz uma lista com todos os dados que tínhamos até então e selecionamos os pontos chave que fundamentavam a acusação de que o pai e a madrasta teriam sido os responsáveis pela morte da menina.
Visitei o local do crime um dia antes da rua ser interditada e tomei notas de detalhes que fossem importantes para a resolução do caso. No dia da reconstituição, todas as atenções estavam focadas na boneca que simulou a queda e na cronometragem das versões da polícia e dos acusados. A versão apresentada pelo casal era imcompatível dentro dos 12 minutos que separavam a chegada da família ao prédio e a queda da menina.
O Malofiej é o maior prêmio mundial de infografia e acontece anualmente em Pamplona, na Espanha. O New York Times foi o grande vencedor desta 17ª edição, acumulando os prêmios de melhor infográfico e melhor mapa. Entre os brasileiros, a Folha foi o único jornal premiado. A revista Superinteressante recebeu medalha de prata na categoria on-line. As revistas Nova Escola e Mundo Estranho levaram bronzes.

Esse foi um produto muito especial dentro da Folha de São Paulo. Dois dos melhores profissionais da casa, o colunista Marcelo Leite e o fotógrafo Toni Pires, acompanharam a primeira missão científica brasileira no interior do continente gelado por 14 dias. O produto final foi uma revista que circulou encartada gratuitamente no jornal.
Cláudio Ângelo e Marília Scalzo foram os editores que encararam o desafio de filtrar milhares de fotos e informações para as 66 páginas da revista sem que isso comprometesse a profundidade e a abrangência da reportagem.
As designers Thea Severino e Adriana de Mattos compraram a briga de elaborar um projeto gráfico que mantivesse um equilíbrio elegante entre as ótimas fotos e os textos saborosos. Isso sem falar no desafio de criar ritmo com imagens que são na sua maioria monotonamente azuis, cinzas ou brancas.
Fiquei por conta de produzir as 15 infografias (contando apenas as publicadas) e mais o mapa-poster que acompanhou a revista. Para tudo isso, contei com a ajuda do jornalista Flavio Dieguez. Veja abaixo algumas das páginas:

A alguns meses atrás, o Chico Homem de Melo escreveu um artigo onde questionava sobre a grande influência que os quadrinhos exercem sobe os estudantes de design gráfico. Tenho pensado que as hqs são o que temos de mais próximo dos problemas de narrativa do design gráfico atual. É claro que narrativa é o x da questão de toda forma de comunicação, mas me refiro aqui à mistura de textos e imagens estáticos que conseguem transmitir as sensações de movimento, som e tempo. Uma proeza que vale a pena ser acompanhada de perto com olhar crítico e profissional.
A pergunta é de Garry Hustwit, diretor do filme Objectified. Produtos fabricados estão tão imersos no nosso dia-a-dia que fico pensando no impacto cultural que eles têm na nossa vida. Impacto que nem percebemos. Há poucas semanas um amigo contou ter conhecido um casal americano que segue uma doutrina que vem crescendo no hemisfério norte: viver com no máximo cem objetos.

O editor de turismo da Folha, Silvio Cioffi, pediu que eu escrevesse e ilustrasse uma matéria sobre os dois países africanos que visitei no fim de 2008. As aquarelas que fiz estão nos links abaixo, basta clicar nos desenhos. As fotos da viagem você conferir aqui.
Lucas Pádua e eu montamos esse infográfico sobre a cerimônia de posse do novo presidente dos Estados Unidos. O trabalho foi bastante minucioso, mas o limite de espaço e a correria de produção do jornal acabou nos roubando a possibilidade de acrescentar material que enriqueceria o infográfico. Ficaram de fora detalhes sobre o momento do juramento e sobre o desfile pela avenida Pensilvânia, uma pena.

Às vésperas da posse, vários países aguardam ansiosos as definições do novo presidente dos Estados Unidos. Para localizar cada um, criei uma legenda que dividia esses problemas em três tipos: econômicos, políticos e militares. Como pode se ver no mapa, o oriente médio deverá ser o maior foco de preocupações.

Em 2008, Márcio Freitas e eu desenhamos um caderno especial para a Folha sobre as eleições nos Estado Unidos. As matérias explicavam como funciona o sistema de votação no país e avaliavam a disputa acirrada entre os candidatos Barack Obama e John McCain.